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sexta-feira, 29 de abril de 2011

Corpos Mutantes - resenha de artigos


COUTO Edvaldo Souza (Org.); GOELLNER, Silvana Vilodre (Org.). Corpos mutantes: ensaios sobre novas (d)eficiências corporais. 2. ed. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2009.


ARTIGO 1 – Uma estética para os corpos mutantes – Edvaldo Souza Couto

Este artigo discorre a cerca das conquistas técno-científicas que permitem melhorar significativamente a saúde do homem e, principalmente, o aperfeiçoamento corporal para melhorar a aparência e a performance. Enfatiza que a sociedade do conhecimento, da informação, dos avanços tecnológicos é também a sociedade do culto ao corpo e deste como objeto do consumo capitalista. Ressalta que as sedutoras possibilidades de reforma corporal, vida feliz e longevidade, vêm acompanhadas de uma intensa exploração midiática e comercial. Segundo Couto, o corpo se tornou lugar ideal para todo tipo de experimento da biotecnologia, investimento da economia de mercado e o principal objeto do consumo do capitalismo avançado.
Em suma, o artigo trata da mercantilização do corpo e destaca que as novas possibilidades de reforma corporal, não só encantam toda a sociedade, como também reproduzem as desigualdades sociais, uma vez que nem todos têm acesso a estas possibilidades.

ARTIGO 2 – Os percursos do corpo na cultura contemporânea – Malu Fontes

No artigo “os percursos do corpo na cultura contemporânea”, a autora Malu Fontes analisa o percurso do corpo – sobretudo o corpo feminino, que, segundo seu estudo, é mais suscetível aos modismos ditados pela publicidade – de forma cronológica, cultural, social, econômica, política, tecnológica e científica, cujos perfis e padrões foram alterados no decorrer dos séculos em decorrência da instabilidade dos meios de construção e afirmação de identidades (família, religião, escola e política). Segundo a autora, os indivíduos passaram a recorrer ao culto à saúde e ao próprio corpo como mecanismo de substituição das ideologias ultrapassadas (citadas anteriormente).
A consequência a este culto ao corpo denomina-se corpo canônico, que é o resultado de um conjunto de investimentos em práticas, modos e artifícios que visam alterar as configurações anatômicas e estéticas, a fim de torná-lo culturalmente adequado (não necessariamente belo).
A autora define ainda o corpo dissonante, como aquele que não se perfila a esse projeto cultural e estético contemporâneo, uma vez que não adere aos artifícios de reformulação, exclusão geralmente determinada por questões finaceiras.
A leitura desse artigo me propôs os seguintes questionamentos: até que ponto somos canônicos ou dissonantes? Até onde vai o nosso limite ao canônico e ao dissonante? O fato é que somos corpos mutantes em alguma medida, qual seria a medida do canônico em nós?



ARTIGO 3 – O espetáculo do ringue: o esporte e a potencialização de eficientes corporais – Claudio Ricardo Freitas Nunes e Silvana Velodre Goellner

Este artigo discute a potencialização e a espetacularização de corpos produzidos em academias de preparação para lutas de vale-tudo. O texto descreve “os bastidores” das lutas, no que diz respeito à preparação física dos atletas, seus anseios por um corpo esteticamente perfeito, competitivos e eficientes e os processos técnicos e tecnológicos a que se submetem para adquirir o corpo malhado, forte, ágil, eficaz e, sobretudo, vitorioso.
O texto discorre sobre as modernas tecnologias utilizadas para modificar o corpo e apressar a maturação dos músculos - ganho de força e diminuição do tempo de recuperação das lesões -, como o uso de anabolizantes, suplementos e a automedicação, estabelecendo uma relação entre a potencialização/espetacularização dos corpos com a expansão de um mercado de serviços e produtos, que, ao serem consumidos, promovem uma identificação entre usuários que buscam adquirir o corpo desejado, eficiência nas lutas, a aceitação e admiração de seus pares, assim como possibilidade de profissionalização e ascensão social, transformando o capital corporal em capital econômico nos campeonatos.
Percebemos, a partir deste artigo, que as lutas de vale tudo estabelecem uma identidade corporal entre seus praticantes, transformam seus corpos em capital corporal e estimulam investimentos na produção de substâncias químicas capazes de potencializar suas performances, que são consumidas por alguns atletas extrapolando os limites da legalidade e da saúde. Será que “vale-tudo” na busca do corpo e performances perfeitos?


ARTIGO 4 – Velhice, palavra quase proibida. Terceira idade, expressão quase hegemônica – Annamaria da Rocha Jatobá Palácios

O texto aborda o processo de luta articulatória entre o vocábulo velhice e a expressão terceira idade, observado especialmente no discurso publicitário de cosméticos. O objetivo central do texto é elucidar e ilustrar um fenômeno de mudança descritiva entre as duas terminologias e as novas tendências publicitárias, que ilustram e ao mesmo tempo reforçam a mudança conceitual, comportamental e cultural da sociedade contemporânea a partir da concepção e incorporação dos valores agregados aos termos.
Enquanto a palavra velhice está associada à decrepitude e limitação, a pós-modernidade produz uma forma emergente de interpretação para o fenômeno do envelhecimento, liberto de suas conotações negativas, por meio de práticas e consumo de substâncias e equipamentos que garantem aos indivíduos desta faixa etária possibilidade de renovação, de autodesenvolvimento, expansão do tempo e qualidade de vida. A terceira idade representa um novo simbolismo para a velhice, um paradoxo de natureza ideológica, estimulando e estimulado pelo consumo de mercadorias e serviços.
A autora destaca que as mudanças das práticas de consumo relacionadas à terceira idade, tanto podem ser enfatizadas e criadas pela publicidade, quanto podem ser desmotivadas por ela, ou seja, é uma prática moldada pela estrutura social e, ao mesmo tempo, constitutiva desta mesma estrutura.
A partir da leitura deste artigo, observamos que a pós-modernidade, alterou os paradigmas do envelhecimento a partir de incrementos tecno-científicos e terminológicos, e que, juntos, criaram uma nova ideologia de vida para a velhice, respaldada pelo capital e publicidade.


ARTIGO 5 – O corpo ciborgue e o dispositivo das novas tecnologias – Homero Luís de A. Lima

Neste artigo, o autor Homero Lima, faz uma análise do desenvolvimento científico tecnológico e as possibilidades que as tecnologias propiciam ao corpo humano, tornando possível não só a exploração minuciosa deste corpo, como também a sua reconfiguração, a partir dos mecanismos que lhes podem ser acrescentados para melhorar a saúde ou a estética. Nesse sentido, surge o conceito de ciborgue, cuja fusão do orgânico com a máquina, resulta em um ser humano modificado devido às múltiplas possibilidades que a tecnologia e a ciência oferecem, possibilidades estas que o ajudam a viver por mais tempo e com uma melhor qualidade de vida. De acordo com o autor, o ciborgue não é simplesmente uma máquina, mas a existência de uma máquina em um contexto físico humano, já que qualquer pessoa com um órgão artificial, como uma prótese implantada, ou em uso de fármacos, é tecnologicamente um ciborgue.
O autor apresenta algumas ideias de Donna Haraway, que concebe o ciborgue como um organismo cibernético, um híbrido de máquina e organismo, uma criatura de realidade social e também uma criatura de ficção. De acordo com Haraway, a miniaturização das tecnologias influencia de forma radical nossa vida, uma vez que estas estão em toda a parte e de forma muitas vezes imperceptíveis, o que torna impreciso o que é reflexo e vontades do ser humano ou o que é codificação das máquinas no corpo. Haraway, considera o ciborgue como uma saída para escapar das oposições metafísicas.
Para Homero Lima, diante que tantos recursos tecnológicos incorporados ao homem, o significado de humano torna-se confuso pela sua complexa interação fisiológica, propondo mais um desafio à metafísica.
Este artigo suscita reflexões ontológicas e quanto às perspectivas inexoráveis da fusão do homem e máquina.

domingo, 28 de novembro de 2010

Aula Mediada Fontes de Energia

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Aula Mediada com o tema Fontes de Energia como TCM da

disciplina Tecnociência, Educação e Cultura.

Mapa Mental

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